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Audali River preview

June 18, 2012

Freyr acordou com a luz suave da manhã, dourada em tom. O seu apartamento era um dos poucos no prédio a possuir uma janela em direção a Este; isto tinha a vantagem de se poder ver o Sol nascer todas as manhãs, mas durante o Inverno era uma maldição, com os ventos boreais da Escandinávia infetando o apartamento, após passarem por florestas de coníferas negras e asfalto cinzento com a bizarra obsessão de tentar ser gelo. No Verão, era um calor infernal em vez disso, mas pelo menos a briza do mar mantinha os ventos do Este à distância.

Levantou-se com esforço; mais que normal, sentia-se desgastado, com pouca força nos membros, enquanto as suas pálpebras estavam pesadas, tentando ocultar os olhos cor-de-âmbar com força. Apesar disto, o seu coração estava a bater num ritmo rápido, ansioso, fechando as portas de Morfeu violentamente. Manteve-se deitado de barriga para baixo, algo que começou a revelar-se desconfortável após vários minutos. Esta situação começou a incomodá-lo enormemente, e levantou-se de forma brusca, com vestígios de raiva, esticando os membros com força. Sentiu-se como se algum bloqueio nas articulações fosse destruído, e suspirou, calma voltando ao corpo instável. Ainda estava rijo ao ponto de poder servir como cabide, por isso foi à casa de banho, libertando a tenção matinal.

Desceu pela rua, que tinha uma forma convenientemente diagonal, nas encostas de uma colina. Parou quando a inclinação acabou: havia um Starbucks no lado esquerdo, exatamente oposto em relação a uma ourivesaria na margem direita da estrada. Freyr entrou; havia relativamente menos gente que o normal, algo que definitivamente não iria protestar. Comprou um Latte diretamente e foi sentar-se na esplanada, na outra saída, e virada para o oceano Atlântico.

O céu estava coberto de nuvens prateadas, com alguns toques de cinzento-escuro ou branco em várias partes. As nuvens sempre interessaram o homem a beber café, a sentir os ventos do mar da mesma cor que o céu noturno; as suas formas pareciam simultaneamente ter sido esculpidas, pintadas, e simplesmente atiradas ao calhas em todas as direções. Em particular, havia um cúmulo-nimbo mesmo acima de Freyr, uma massa de cinzento-escuro no céu de outro modo relativamente claro, erguendo-se em milhares de quilómetros nos céus. Parecia, de certa forma, uma falésia divina, erguendo-se sobre o resto das nuvens. De forma precipitada.

“Já estiveste lá, não?”

E lá se foi o resto do Latte. Freyr lamentou em silêncio pelo estado da camisa carmesim, mas limitou-se a olhar para o questionador. Era um homem jovem, provavelmente ao longo dos vinte anos, moreno e com olhos prateados. Vestia um fato branco com bordas douradas. Tinha uma expressão serena, com indícios de preocupação.

“Peço desculpa” disse, sentando-se, “Devia ter-me introduzido mais dignamente. O meu nome é Adnan Hafif, e estou aqui por parte da NOT…”

“Se é acerca de Vanaheimr, pode esquecer a minha contribuição.”

“Ah não, não tem nada a ver.”

Ajeitando-se na cadeira, tirou um athame do bolso. Na sua lâmina estavam cravadas várias siglas, a mais proeminente sendo um circulo com uma ponta no meio, radiando oito raios, fazendo o símbolo parecer uma roda.

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